8 de março: em busca da memória perdida





8 de março, dia Internacional da Mulher. Muitos mitos e distorções se construíram ao longo dos mais de 100 anos em que esta data é marcada para registrar a luta das mulheres por igualdade ao redor do mundo. Mas em momentos como este se faz fundamental que se resgate e se recupere o sentido das coisas, ainda mais quando ocorrem processos de mitificação que visam desviar o sentido original de determinados processos. Com o 8 de março ocorre exatamente isso. O mercado, sempre atento a possibilidade de maiores lucros, tenta (e muitas vezes com sucesso), converter esta data em mais um momento de ampliar negócios e com isso, colabora na tentativa de apagar o sentido de luta que envolve a data.


2016 e o golpismo no Brasil e na Venezuela


No ano de 2016, houve duas tentativas declaradas de golpe na América Latina: uma no Brasil e outra na Venezuela.

Ambas surgiram como fruto de processos políticos que desenrolam-se já há alguns anos, não frutos de excepcionalidades que abateram-se de forma inesperada neste ano. Não apenas por dinâmicas locais, ainda que estas sejam importantes para entender o desfecho destinto de cada país, a crise econômica foi um fator importante para alimentar as forças golpistas de cada país. Apoios externos houveram, com importância ainda não mensurável, pela ausência de informações.

No caso brasileiro, não só o golpe teve sucesso como o país caminha de forma acelerada para uma verdadeira tragédia social. A agenda de supressão de direitos e de redução do Estado irá provocar regressões de todo o tipo, isto somado ao arbítrio e o caos orquestrado pelas elites promotoras do golpe, prometem levar o país a uma instabilidade aguda, de imprevisível desenrolar.

Na Venezuela, o golpe foi por hora frustrado, mas a situação social do país está longe de ser animadora. Ainda assim, a manutenção do poder presidencial com Maduro pode permitir uma melhor condição de recuperação no médio prazo, ainda que em bases instáveis.

Natal no capitalismo tardio


500 anos da Utopia de Thomas Morus



Quando em 1516 o inglês Thomas Morus publicou Utopia, descrevendo a ilha-reino imaginária de mesmo nome — aquela que seria “a melhor das Repúblicas” — logo obteve sucesso de público. Para batizar esta sociedade, criou uma nova palavra, o neologismo “ou-topia”, articulando as palavras gregas “où”, não, e “tópos”, lugar, o não lugar ou o lugar feliz, graças à sua dupla etimologia. Com o transcorrer do tempo, convertida em clássico, a obra tornou-se muito mais que “apenas” uma importante peça literária, mas um marco fundacional para o pensamento político e filosófico ocidental.

¡Hasta la victoria siempre!


Retrato de Fidel Castro, 1961 - Oswaldo Guayasamin

Senado aprova PEC do teto em mais um dia de vergonha nacional


O roteiro já vinha sendo anunciado pelo governo e demais setores aliados, mas muitos ainda acreditavam que ele poderia ser alterado, face a crescente mobilização social e a denúncia dos efeitos regressivos que a PEC 55 - chamada como PEC do Teto - provocará para o futuro país. Indiferentes a qualquer clamor social, o Senado aprovou em primeiro turno, por 61 votos a 14, a PEC do Teto.

A proposta, que institui o "Novo Regime Fiscal", foi apresentada em junho pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e se for aprovada ainda este ano como pretende o governo, terá tramitado em tempo recorde no Congresso, segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). A ausência de qualquer pressuposto democrático de discussão envolvendo o projeto, tem sido a tônica.


O caráter antipopular dos atuais mandatários do poder se sobressai, amparada a partir de uma percepção de que estariam imunes e blindados a qualquer crítica, por contarem com o apoio majoritário do capital financeiro e da mídia empresarial.

Muito simbólico disso o fato do Congresso votar uma medida de 20 anos de cortes nos investimentos públicos em um dia de luto nacional pela tragédia envolvendo a equipe de futebol da Chapecoense, e ainda manterem a votação isolados por bombas e aparato militar.

29 de novembro já fica marcado como mais um dia de vergonha nacional envolvendo o Senado Federal.

Fidel: Uma história que não pode ser escrita com palavras



Por João Pedro Stedile

Perdemos Fidel. Ganhamos uma história de exemplos e de sabedoria.

A história de Fidel é indescritível, não podemos descrever apenas com palavras. Então gostaria apenas de dar um testemunho.

Ele usou toda sua sabedoria, conhecimentos, liderança e dedicação para construir, ao longo de 60 anos, um povo unido e organizado, que se transformou imbatível, enfrentando as forças econômicas e militares mais poderosas do século 20: o capital dos Estados Unidos.