Em 1964, trabalhadores pedem armas para defender a democracia


Na antevéspera do golpe de 1º de abril de 1964, em comício em defesa das reformas de base, trabalhadores metalúrgicos pedem armas para impedir o golpe.

Eles pressentiam  o desfecho trágico da crise no governo do presidente João Goulart e tentavam bradar por uma resistência armada em defesa da democracia.

Não foram atendidos em seus clamores e o golpe se deu sem resistência armada.

A esquerda, a crise e as Diretas Já!



Após a formidável unidade construída e demonstrada na Greve Geral de abril e na grande mobilização do “Ocupa Brasília” no 24 de maio, na velocidade da conjuntura brasileira atual, a frágil e instável unidade da esquerda encontra-se na encruzilhada sobre as saídas para a crise envolvendo o presidente em queda Michel Temer.

Sem dúvida, os pontos de unidade da esquerda já existentes, deem servir de estímulo e caminho para a esquerda evitar uma fragmentação ainda maior de seu campo, a exemplo do que ocorre neste momento entre as forças que promoveram o golpe que conduziu Temer ao poder.

8 de março: em busca da memória perdida





8 de março, dia Internacional da Mulher. Muitos mitos e distorções se construíram ao longo dos mais de 100 anos em que esta data é marcada para registrar a luta das mulheres por igualdade ao redor do mundo. Mas em momentos como este se faz fundamental que se resgate e se recupere o sentido das coisas, ainda mais quando ocorrem processos de mitificação que visam desviar o sentido original de determinados processos. Com o 8 de março ocorre exatamente isso. O mercado, sempre atento a possibilidade de maiores lucros, tenta (e muitas vezes com sucesso), converter esta data em mais um momento de ampliar negócios e com isso, colabora na tentativa de apagar o sentido de luta que envolve a data.


2016 e o golpismo no Brasil e na Venezuela


No ano de 2016, houve duas tentativas declaradas de golpe na América Latina: uma no Brasil e outra na Venezuela.

Ambas surgiram como fruto de processos políticos que desenrolam-se já há alguns anos, não frutos de excepcionalidades que abateram-se de forma inesperada neste ano. Não apenas por dinâmicas locais, ainda que estas sejam importantes para entender o desfecho destinto de cada país, a crise econômica foi um fator importante para alimentar as forças golpistas de cada país. Apoios externos houveram, com importância ainda não mensurável, pela ausência de informações.

No caso brasileiro, não só o golpe teve sucesso como o país caminha de forma acelerada para uma verdadeira tragédia social. A agenda de supressão de direitos e de redução do Estado irá provocar regressões de todo o tipo, isto somado ao arbítrio e o caos orquestrado pelas elites promotoras do golpe, prometem levar o país a uma instabilidade aguda, de imprevisível desenrolar.

Na Venezuela, o golpe foi por hora frustrado, mas a situação social do país está longe de ser animadora. Ainda assim, a manutenção do poder presidencial com Maduro pode permitir uma melhor condição de recuperação no médio prazo, ainda que em bases instáveis.

Natal no capitalismo tardio


500 anos da Utopia de Thomas Morus



Quando em 1516 o inglês Thomas Morus publicou Utopia, descrevendo a ilha-reino imaginária de mesmo nome — aquela que seria “a melhor das Repúblicas” — logo obteve sucesso de público. Para batizar esta sociedade, criou uma nova palavra, o neologismo “ou-topia”, articulando as palavras gregas “où”, não, e “tópos”, lugar, o não lugar ou o lugar feliz, graças à sua dupla etimologia. Com o transcorrer do tempo, convertida em clássico, a obra tornou-se muito mais que “apenas” uma importante peça literária, mas um marco fundacional para o pensamento político e filosófico ocidental.

¡Hasta la victoria siempre!


Retrato de Fidel Castro, 1961 - Oswaldo Guayasamin